Eu tenho de escrever esta.
Na semana passada, no domingo para ser preciso, dois eletricistas que contratei para resolver o ruído medonho que fazia a minha linha telefônica vieram em casa. Eletricistas não: IRLAs! Instalador-reparador de linha telefônica. IRLAs são o plâncton da cadeia alimentar da indústria de telecomunicações. Fazem o ultra básico do serviço: puxam cabos, ligam-nos aos terminais, descobrem maneiras de levar o sinal até o seu aparelho telefônico, até o modem de ADSL. Nenhuma companhia telefônica tem IRLAs. Somente empresas contratadas pelas telefônicas os contratam - e estão em falta no mercado.
Nome dos senhores?
José e Antônio. Não podiam ser outros. O José era o ajudante, no caso, e o Antônio fez as vezes de "eletricista-chefe". "Puxa o fio aí ... agora testa ... parou o barulho?" Resolveram o problema, tiraram o aterramento da linha telefônica, causado por fios antigos e muita umidade dentro dos conduítes. O José, pelo estado da rodagem, deve estar batendo em seus 60 anos de idade. O Antônio, pelos 55, talvez um pouco menos. Antigos de casa. O José me contou que estava na sua 3a companhia terceirizada para a Telefónica (a telecom espanhola que tem a concessão do serviço de linha telefônica fixa na cidade de SP). As companhias trocam e ele fica.
Sei que resolveram o caso. Como o sêo Antônio, este um senhor de 84 anos na época, que me acertou a situação inteira no meu primeiro apartamento depois de formado. Tirou fios emendados de deixar o Corpo de Bombeiros chocado, tirou aquelas caixas de fusíveis (sim, e ele insistia em chamar de "fusil") de porcelana com chave de faca do quadro de luz e substituiu tudo por elegantes disjuntores, organizados por cômodo e por corrente que cada circuito do minúsculo apartamento consumia.
Não adianta: sêo Antônio é nome de eletricista, de pintor e de encanador. Só pode ser.
Nem pintor, nem encanador
sexta-feira, 22 de abril de 2011
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