Nem pintor, nem encanador

domingo, 6 de março de 2011

Egoísmo

Viver em sociedade significa abrir mão de parte de sua liberdade, sua vontade de fazer o que quer, para usufruir parte dos benefícios conseguidos pelos outros participantes desta sociedade. É um pouco complicado fazer a definição, mas é a melhor que consigo tirar do alto de minha frustração.

Viver em São Paulo está cada vez mais difícil porque ninguém considera o espaço público realmente público. É a extensão, para o que interessa, dos domicílios de cada um.

De concreto, o que me aconteceu ontem que está entalado em minha garganta: estou no cinema, assistindo um filme infantil. Não é qualquer cinema, é o UCI no Jardim Sul. Sessão das 15h, "Gnomeu e Julieta", 3D e tudo mais.

No meio da sessão, uma criança começa a chorar - mas não é o choro de dor ou de fome, é o choro de manha. O que já fiz: bati em retirada com os meus filhos, para não incomodar ninguém.

O palhaço egoísta que estava com a criança simplesmente não fez nada, ignorou a todos e a tudo, e se manteve impávido, em seu lugar, segurando o chorão. Depois de uns 10 minutos de choro, fui reclamar com a "lanterninha", a funcionária da UCI que estava dentro do cinema vigiando a plateia, para ter absoluta certeza que ninguém fugiria com um dos óculos 3D. Enfim, nada fez também, não saiu de sua posição confortável para pedir que o chorão e o seu pai egoísta saísse do cinema e voltasse em uns 3 ou 4 anos, quando o menino tenha um pouco mais de maturidade para ficar em um cinema, e o pai tenha levado uma boa lição de vida que tanto merece.

Nada aconteceu. A sessão se arrastou até o fim e o chorão continuou chorando e o pai egoísta continou privando 150 pagantes de ter o sossego de assistir um filme em um sábado qualquer.

Reclamei, na saída, com a gerente. A gerente, com cara de paisagem, me disse que a funcionária pediu ao pai que se retirasse (mentira, estava atrás do egoísta) e que "ele a xingou". Nada fez.

É realmente uma pena.

Vou fazer o quê? Ficar em casa? Ou começar a berrar dentro do cinema e achar que está tudo normal? Ou fumar dentro do cinema e fazer de conta que está tudo bem? Afinal, não estarei incomodando ninguém ao fazê-lo. Estão todos em seus mundinhos egocêntricos, curvados e olhando para seus umbigos. Posso também falar alto e fazer barulho ao comer a pipoca e ficar com o pé empurrando o encosto da cadeira da frente.

Somos todos invencíveis, inabaláveis e absolutamente egoístas.

Viver em sociedade em São Paulo está cada dia mais fácil. É só fazer o que der na cabeça.

1 comentários:

Cheerleader disse...

Se esta moda pega: http://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/879282-homem-e-morto-apos-fazer-barulho-ao-comer-pipoca-em-cinema.shtml
Beijo!